terça-feira, 9 de agosto de 2011

O pássaro que canta na chuva

Poema

Fernando Rebelo


O aperto no estômago, a lágrima que cai
a vida que passa, o tempo que não corre.
Tudo parece ser tão complicado agora
talvez eu merecesse isso, contra minha vontade
Não queria isso, não queríamos. Sabemos.
Mas a vida corrente trás tantas surpresas,
coloca-nos em situações estranhas, que doem, que corroem
mesmo sabendo que não sobreviveríamos a isso
ainda nos impoe.
A culpa me destrói
A culpa, essa carnívora, devora-me sem perdão
só eu sei.
esse impulso já me agonia
a vontade que tinha para seguir já não me pertence mais
ouço agora o silêncio ensurdecedor que berra colado ao meus tímpanos
o silêncio da falta de ter com quem dividir seus sentimentos.
Talvez seja o momento, mas creio que não
Já sinto o peso da falta. Vou sentir ainda
Queria ser que nem o pássaro que cantava ali
mesmo na chuva, continuava a cantar
Sua alegria era contagiante
mas por barreiras de tristeza, não consegui apreciá-la
continuei no meu invólucro de culpas
Espero que o tempo seja piedoso
não demore tanto quanto quando levou quem eu também amava
você é cruel, tempo. E ao mesmo tempo fraco
não fará com que se decomponha aquilo que chamo de amor
passe décadas, séculos, não importa
ninguém mais vai sentir o que eu ainda sinto
Era verdadeiro sim.
E estarei disposto a enfrentar o que for
até mesmo aquela agonia que prova que nos interessamos por alguém
Porque eu ainda te amo. foda-se!

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