segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Santos poetas

É tão fácil escrever um poema; é apenas a seleção de palavra por palavra para que se possa expressar o sentimento que vem assolando sua cabecinha por um bom tempo, é expressar aquela negação que se teve ou então descrever a formosidade daquela moçoila que passou por você e lhe deu um sorriso de canto de boca. Saibamos que cada palavra carrega o que se quer dizer, é uma forte carga simbólica o significado de cada uma, dependendo de qual for escolhida pode-se transpor ódio ou alegria, prazer ou tédio, paz ou guerra, tem-se a responsabilidade de mostrar ao mundo o que se passou naquele tal momento de lucidez, ou embriaguez. Uma vez tentei descrever uma menina, comecei pela palavra bonita, paro por aqui: "bo-ni-ta", não soa tão elegante, é uma palavra travada com silabas fortes que mostram uma robustez que eu não queria que fosse passado, não é suave; pensei, por que não: bela. Sim, "bela", soa como um maravilhoso pôr-do-sol com todas as cores que se tem direito, o laranja, o azul, o amarelo, uma leve pincelada de violeta; "bela" transcorria pelo corpo daquela moçoila com tanta facilidade como a água da cachoeira de uma gruta, como o vento dos céus que percorre todas suas curvas. Foi a palavra perfeita. E nesse ponto que os poetas chegam, no auge dos seus sentimentos, com uma aureola, tornam-se santos.

Fernando Rebelo

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